06 outubro 2007

Vamos divagar um pouco?

“Pouca coisa parece mais perturbadora do que o conceito de vazio. Os gregos mostraram-se tão avessos à idéia do nada que foram incapazes de conceber o zero".










Confesso que tenho uma enorme responsabilidade entre mãos, mas também tenho a certeza que estou prestes a dilucidar sobre algo bastante interessante mas, ao mesmo tempo, bastante assustador talvez. Alguma vez pensaste: "O que é o vazio?" Ou talvez deveria perguntar: "Consegues imaginar o vazio?" Se não o fizeste aviso desde já que é algo bastante difícil ou, diria eu, impossível.

Sempre que chegávamos a este tema nas minhas aulas de Filosofía, os professores soltavam quase sempre o mesmo comentário, com um certo tom humorístico: El vacío es un bote de melocotón, sin bote y sin melocotón. Entendeste? eheheh Traduzo: O vazío é uma lata de pêssego, sem lata e sem pêssego. Realmente não deixa de ser uma possível solução a este problema. Mas assim começávamos nós a falar sobre o vazio. Ao ser um conceito tão abstrato, tornase bastante complicado poder abarcá-lo mas sim gostaría de apontar algumas coisas que me surgiram esta tarde, numa rápida conversa com alguém a quem admiro muito e que pelos vistos tem um gosto especial por estes temas, pelo menos hoje estávamos para aí virados, eheheh. Enfim, continuando... Sempre que tentamos imaginar o vazio, imaginamos algo parecido à imagem de cima: um quarto vazio, sem nada... mas está realmente sem nada? Um quarto tem paredes, tem uma porta ou mais, janelas, ou não está vazio simplesmente pelo facto de conter algo de ar. Com isto quero dizer que qualquer "imagem" que possamos criar na nossa cabeça, vai conter sempre algo que nos vai atrofiar o conceito real de vazio. Ante isto, podemos definir o que é o vazio? Aliás, temos o direito de definir algo? Um dia um professor respondeu-me da seguinte forma quando lhe pedi uma definição de algo que não recordo: "Quando se define algo, limitas esse algo que defines, crias uma cerca à volta desse conceito, portanto vamos deixar as definições e vamos entender o conceito". Deixou-me sem resposta, mas é verdade. Quando tentamos definir o vazio, o qué é que dizemos? É como um quarto sem nada, sem cama, sem móveis, etc... Mas estamos a definir que é como um quarto, ou seja com limites espaciais. Por esta razão dizia eu que é impossível definir o que é o vazio.

Também podemos pegar em Sto Agostinho (como não podia ser de outra maneira) para entender algo disto. Este filósofo do século IV e V escreveu um dia que "quando entendas a Deus, deixa de ser deus". Pois eu faço minhas as palavras dele e digo: Quando entendas o vazio, deixa de ser vazio". Não quero comparar Deus com o vazio, porque são conceitos completamente contrários. Mas o fato é que há coisas que nunca as entenderemos, porque nos superam intelectualmente. Se repararam no video do post anterior, devem ter reparado numa frase específica que diz: "Só entederemos a vida e o mundo quando deixarmos de procurar explicações". Isto pode dar passo a que me interpretem como uma pessoa contra as investigações científicas e o avance das ciências; não é nada disso. O que quero transmitir com tudo isto é que, quando nos dedicamos a tratar o mundo, as pessoas, os sentimentos, como simples máquinas e criações do homem, quando as definimos, limitámo-las e acabam por perder a essência e a beleza que têm por natureza. Pensa nisto: "quando descubrires o que é o amor, deixa de ser amor". Não sabes o que é, mas sabes que está aí, sentes e disfrutas dele, mas se te preguntam o que é, não sabes responder, tal como acontece com o vazio.

Perante tudo isto, será válido o comentário que tantas vezes nos vem à cabeça: sinto-me num vazio existencial. Será que alguma vez nos sentimos realmente assim? Será que estivemos algum dia sem ninguem e mesmo sem nós mesmos? Isto é o vazio, não? Supostamente para que nos sintamos num vazio existencial deveríamos estar completamete sozinhos, sem amigos, completamente fechados ao mundo, e talvez fechados a nós mesmos e, principalmente, fechados a Deus. Sim, porque por mais sozinhos que nos sintamos de vez em quando, não podemos esquecer que lá em cima há sempre alguém que não se esquece de nós, e que constantemente está a velar por nós, por mais que insistamos que não. Proponho-te um pequeno "jogo": pensa em certas situações que ocorrem na tua vida, naquele postal que recebes, naquele telefonema, naquele video que viste num blog de um amigo, etc... são situações normais e bastante banais, certo? Podes pensar assim, sem dúvida, ou podes pensar também como alguem que, talvez sem querer, me ensinou a pensar assim: Deus faz-se presente nas pequenas coisas da vida, nos detalhes, nas coisas insignificantes. E acredita, que se conseguires pensar assim, vais começar a valorar muito mais certas amizades, certas pessoas, certas situações ou episódios que parecem insignificantes, e principalmente, vais dar-te conta de que Deus não se afasta nunca de ti, senão que está todo o dia a pensar como te há-de surpreender esse dia.

2 comentários:

edna disse...

Holaaaa
Que bien que hayas vuelto :D
Y como voy un poco atrasada pues he visto dos entradas de una sentada. El video de la anterior en tan guay... me dan una penilla los extraterrestrillos... y yo cuando pienso en el vacio pienso en el cielo, osea no en mirar la cielo sino en estar entre las estrellas, pero sin estrellas, en esa imensidad sin nada que la contenga y sin contener cosas...
Besitos guapo y ya no abandones mas tu blog... el nunca lo haria :P

Nit disse...

Toda esta divagação é curiosa e dá que pensar... a ideia da lata de pêssegos é algo simplesmente rebuscado!

Mas não é quero comentar... mas antes o teu último parágrafo. Eu partilho da tua ideia que Ele está nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, nos postais (e tu sabes do que falo)... O meu problema de hoje é: o que fazer quando não consegues ver esses pequenos sinais e tanto precisas deles? Quando o lado obscuro da tua vida tolda esses pequenos momentos?
Sei qual é a reposta a esta pergunta, mas hoje ainda não consegui interiorizar... se quiseres podes ajudar!